Coisas que vêm à cabeça e vão ao vento.
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This is where you stick random tidbits of information about yourself.
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Crônicas escrotas de um velho punk
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Sexta-feira, Novembro 24, 2006
Para um amigo que fazia 60 anos e dizia que não sabia o quê estava comemorando.
As comemorações sempre são em torno de vitórias, né não?
Então, qual a vantagem de se ter 15, 25 ou 30 anos até?
Desde que não se nasça miserável a natureza, a maioria das vezes, está do lado dessa faixa etária.
Com essa idade as mulheres são lindas, se dão certas liberdades - a de usar um biquíni mais ousado, por exemplo. - sem que pra isso tenham muito esforço a fazer. Claro, a natureza está ao lado delas. Sim, e deles também.
Agora, quando chegam os 35 anos e o corpo começa a envelhecer e a natureza passa a ser um inimigo sorrateiro, espião infalível, com o qual você tem que lutar contra (ou a favor) aí, sim começam as vitórias. Ou as derrotas.
Chegar aos 60 - pra mim faltam 9 - e olhar pros lados e ver quantos marcadores você driblou, olhar pra frente e ver que a grande área tá limpa, (ou parece estar) é de se comemorar. Passar por bala perdida, ladrões de rua, trânsito caótico, ministros da economia, amigos interesseiros, acróbatas de semáforo, política nacional é de se comemorar.
Principalmente quando você tem ao seu lado uma lista (como eu) de amigos que já se foram por não conseguirem passar por seus marcadores - o coração parece ser o maior marcador de todos. Ou por muitos que ainda vivem, mas no banco de reservas, cheios de limitações médicas. Ou, tão pior quanto: cheios de limitações mentais.
Não tem um ano em que eu não faça uma geral no "equipamento". Desde os 37 frequento geriatra. Quanta coisa evitei graças a ele - diferente do que pensam, que geriatra é pra velho, eles sempre dizem que depois de velho não tem mais jeito. Portanto, evitar é o que vale mais.).
Hoje mesmo cheguei com o resultado de todos meus exames. Tudo zerado.
É lógico que, nesse caso, no meu, trem muito do sangue de família. Dos dois lados uma longevidade impressionante.
E, ao que tudo indica, herdei esses genes.
Então o que a gente faz?
Comemora. Duplamente.
+bina
P.S.: Fazer aniversáio é fácil. Sempre vai ter alguém aplaudindo por você.
Sexta-feira, Novembro 24, 2006
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Sábado, Outubro 21, 2006
Universo paralelo
Porra, me lembro do dia em que aceitei um emprego na Philco. Assessor de propaganda. Era uma função onde a gente, através de visitas aos revendedores da região norte e parte do nordeste, anotava o que um diretor, ou chefe, sei lá, de compras nos falava de como se comportavam os clientes daquela loja. Nos reuníamos em SP, pelo menos, uma vez por mês - e eram generosos: nos davam uma semana de SP.
Na minha primeira viagem à SP pela Philco, para a primeira reunião, resolvi que deveria maneirar nas indumentárias.
Pensei: Quanto mais simples, melhor. Então a fórmula era jeans, All-Star e uma camiseta sem nada escrito. Se bem que veio a idéia de que a camiseta era simples além da conta. O que seria mais sério? Porra, uma polo. Vermelha. HAHAHAHHAHAH.
Os diretores e chefes e veteranos esperavam pelos novatos. Eu e mais três. Cheguei atrasado, só pra variar; os três já tinham chegado. Fui percebendo a roupa de todos. Paletó.
Eu tive a sensação de fazer cocô na calça. Mas foi só a sensação - que é bem pior; você fica pegando na bunda pra ver se era verdade. Se fizer cocô de verdade, já sabe que a "merda está feita" e relaxa.
Na minha frente, ocupando quase toda a porta dupla, da sala de reunião, uma réplica do Yelt, o homem das neves, sacou?
Era um português - lógico também que tinha sido batizado Manoel - imenso e que tinha sido diretor da Ford nos Estados Unidos durante 30 anos.
Ele sem saber o que falar, apoiou os dois capangas, digo, os dois braços sobre meus ombros e disse:
- Puxa, rapaz... por um momento lembrei da minha adolescência...
A secretaria dele, daquelas paulistanas de 40 anos, meio roliça, completa:
- Fora de linha... (era como se falava na fábrica para os aparelhos ultrapassados)
Seu Manuel virou-se rápido para ela e, meio ríspido, perguntou:
- Você está dizendo que estou fora de linha?
Ao que ela se defende:
- Não é o senhor... é êle! E aponta pra mim.
O português se vira pra mim, sai da frente, aponta o interior da sala e diz:
- Vamos entrando... Seja bem-vindo, Fora da Linha...
E assim foi o tempo que durou.
Descobri em pouco tempo que o portuga se vingava da gente, brasileiros, colocando apelido em todo mundo do departamento.
O meu era bem agradável se um dia fizessem uma chamada.
Sábado, Outubro 21, 2006
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Sábado, Abril 08, 2006
Vento de chuva
Foi com um vento de chuva que seu chapéu escapou.
Rolou feito um pneu solto, subindo a ladeira junto com as folhas da mangueira secas.
Os pingos caem fortes e molham teu rosto quando me abraças do frio.
Do vento; da chuva.
Um beijo com cheiro de asfalto.
Sábado, Abril 08, 2006
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Quarta-feira, Abril 05, 2006
Lá vai êle
Fui uma das 9 entre 10 crianças da minha geração, que quiseram ser astronautas.
Não sosseguei até o dia em que fui pra Houston conhecer a NASA. Aquela sala de onde controlavam os lançamentos, a cápsula da Apolo 11, o fragmento do solo lunar.
Quantas noites sonhei com o Mar da Tranquilidade, passeando em passos leves e soltos, saltitanto pela lua.
Chegava ao cúmulo de achar o máximo quando um professor meu qualquer perguntava em voz alta, em plena sala de aula, se eu estava no "mundo da Lua". Fui suspenso três dias, certa vez, por adimitir que sim. Astronautas sofrem desde pequenos.
Meu sonho durou até a idade de me informar e ver que, além do russo, só o americano chegava lá.
Tenho um verdadeiro museu sobre a corrida espacial. Recortes de jornals da época, revistas, miniaturas, mapas da lua, fotos de astronautas, livros e até um manual, passo-a-passo de como se constrói uma espaçonave.
Lógico que não quero mais ser astronauta. Nem idade pra isso tenho mais. Ficaram as lembranças.
Mas meu filho Calvin, sim. E vejo a felicidade dele ao saber do brasileiro lá no alto, suspenso pela tecnologia americana e russa e por míseros 10 milhões de dólares brasileiros.
Deixo ele sonhar com os meus recortes, fotos e etc.
Ainda tem quatro anos.
Vai descobrir daqui a pouco o quanto falta aqui em baixo para se ser alguém na vida:
Um sistema de ensino decente, uma escola decente, uma universidade decente.
E acima de tudo, exemplos de homens decentes.
É chato olhar pra cima e ver que somos governados por gente que merecia estar numa dessas viagens.
Sem volta, de preferência.
Quarta-feira, Abril 05, 2006
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Terça-feira, Março 21, 2006
Ah, essa jovem guarda!
Meu amigo Jaime diz que ele já nasceu cafona.
Eu prefiro achar que o tecladista Laffayete foi o cara que inventou a música, e o músico, de churrascaria.
Fora isso, só não teve sua integridade física abalada porque quis o destino os dois nunca se cruazassem. Sim, o outro Lafayette.
Ganhou esse nome porque seu pai era fã do primeiro. Isso explicava o órgão no canto da sala.
Os traumas se somaram no decorrer de sua vida.
Os vizinhos concordavam que era meio extranho chamar um bebê de Lafayete. Quando aprendeu a ler e escrever tinha dificuldades em saber se seu nome era Lafayete ou Rafayete - aquela fase que as crianças trocam o R pelo L, tipo o Cebolinha.
E, mais tarde, jogando peteca, alguém grita: É tua vez, Laffayete. Quem por perto passasse custaria a crer que um garoto cabeludo, já nessa época a cara do Frank Zappa, tivesse esse nome.
Portanto, aí, já são dois castigos. Meu Deus, um sujeito com a cara do Zappa e o nome de Laffayete.
O apelido de Fafá foi autocriação quanto à cara de Zappa, depois de um tempo, ele até tirou proveito disso.
Laffayete escolheu Fafá de repente, do nada, no dia em que conheceu a sua primeira paixão.
Fechei os olhos e o que eu mais temia veio: ela se vira e diz, Prazer, Claudinha... Enquanto ele: Oi, er....Fafá ao seu dispor.
Arregalei os olhos e segurei o riso. Era difícil ser amigo dele e rir disso, pelo menos na sua frente.
O galanteio da Cláudia, nossa vizinha na Farme de Amoedo, tinha deixado Laffayete, ou Fafá, sei lá, nas nuvens.
Balbuciava coisas sem nexo, enquanto caminhávamos de volta pra casa, a dele pra ser mais exato.
Bem na esquina da Nascimento Silva, aquela da Elizete, damos de cara com a mãe do Laffayete, ou do Fafá, sei lá..., que ao ver naquela face um tom de felicidade fez cara de quem precisava saber o que acontecia.
Laffayete vira pra Dona Neusa e diz: Mãe, a partir de hoje, me chama de Fafá, tá???
Quase às lágrimas Dona Neusa, que chorava até de comercial da US Top, diz:
- Ai, filho, que fofo... Fafá...meu fofo.
E assim foi chamado por ela até o dia do casamento com a Claudinha.
Igreja lotada.
Dona Neusa que já tinha borrado a maquiagem umas três vezes, seu marido, o Éder, agente multiplicador de Laffayetes e uma turba que estava lá pra prestigiar o nosso amigo mais feio, com um nome ridículo e um apelido pior ainda.
Silêncio total até o Padre virar e perguntar:
- Senhora Cláudia? Aceita o sr. Laffayete Erasmo como esposo?
Antes que ela dissesse um apaixonado sim, a igreja foi preenchida por aplausos ensurdecedores. O padre sem entender nada tantava pedir silêncio. As velhas aplaudiam sem saber porque. Dois cães vadios latiam. Um caos.
Nesse meio, Laffayete, ou Fafá, ou Fafá, meu Fofo, ou Laffayete Erasmo, em lágrimas, do alto do altar, vira e apontando pro seu peito gesticula com os lábios: "Meu nome é E RAS MO?"
Vira-se, olha pra Cláudia, pega-a em seus braços e se enfia em um chupão sem fim.
Dessa vez os aplausos, que ainda não haviam parado foram acompanhados por gritos de Tremendão...Tremendão... Tremendão...
Terça-feira, Março 21, 2006
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Sábado, Março 11, 2006
Luz... câmeras... Ah, não!
Caralho, todas as luzes da casa acesas...!
Alôôô... Aqui quem mora é o sócio da Celpa, é...?
Antes de dar início ao meu pequeno streap diário, vem-me à cabeça que só em duas ocasiões a casa fica parecendo terminal rodoviário de cidade do interior: no Ano-novo, diz que pra atrair bons flúidos e quando entra barata voadora.
Mas, péra aí...? Cadê todo mundo...?
Queridaaaaaaaaa...cheguei....!!! Dino da Silva Sauro. Não, não tô tão gordo assim...!
Atravesso a sala em direção aos quartos. Ponho o pé no corredor e só luz acesa.
Sinto um estalar vindo de trás. Algo se move entre minhas pernas. Uma sombra que cresce, em formato oval, alongado, como se segurasse na cabeça a antena da TV. Um odor peculiar envolve o ambiente - claro e silencioso. Silêncio quebrado apenas pelo segundo estalar.
Oh, não... Céus...! Viro-me lentamente e, infelizmente, certifico-me da minha sórdida previsão: era, sim, uma barata. Imensa. Alguém já viu uma dessas, tenho certeza.
Um misto de monstro dos Power Rangers com Keith Richards.
Lembro da minha mãe - sempre nessas horas, sempre nessas horas. Nenhuma delas passa incólume pelo seu território. Os olhos azuis por trás daquelas lentes de óculos, iguais ao da Tootsie, funcionam como um radar. Um belo disfarce. E, ao menor dos movimentos, plaft! e croc! Não importa, é com qualquer havaianas, de qualquer número, qualquer cor.
Mas, agora a onda é comigo! Respiro fundo. Me inspiro em Bauer, Jack Bauer, embora me sinta um dos Lost.
Num salto triplo mortal chego à área de serviço. A bomba de Flit armada. Tão certa quanto o Ano-novo com a luz acesa. Algumas gotas de suor escorrem pelo meu rosto. Ainda lembro de alguns traços do Ted Boy Marino, no Telecatch: o tacle e a tesoura voadora. Ensaio os dois na cabeça, sem que ela perceba. A sala é o cenário do duelo. Noto que por sua testa também escorre algumas gotas de suor. Se baratas fumassem iria imaginar um vinte de charuto babado no canto da boca torta. Só nos desenhos do Níquel Náusea, mesmo.
Agora é pra valer.
Agora é cara a cara, ôlho no ôlho, mão no Flit.
Nossa! Que coragem, que clima de faroeste, e eu nem sei se as baratas sugam sangue de humanos. Não, isso não pode estar passando por minha cabeça.
Ao primeiro nítido movimentar de patas e Shhhhhhhhhhhhhh...shhhhhhhhh....shhhhhhhhhh. Um, dois, três tiros certeiros. Ela encolhe e recua e sai lesa como um motorista bêbado e capota e tomba morta.
Num dos cantos da casa toca um Nokia. Caminho vitorioso e suado entre uma intensa névoa de Detefon, ou Flit, sei lá, o que importa?
Ainda trêmulo, fraco e tremido dou um Alô!, com ar de vitória e com a voz arrastada, de quem morre de vergonha de estar num filme C. Imaginei logo a voz dublada do outro lado perguntar "Tudo bem com você?" e eu daqui solto um "Já tive dias melhores...!". Só imaginação, viagem, mesmo.
Identidfico o celular de minha mulher que avisa:
- Oi, Amor... estou eu e seu filho na casa da mamãe...Você nem sabe... Entrou uma barata imensa em casa...
Sábado, Março 11, 2006
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A cara das pedras
Nasci em meio a vinis. Além do bom gosto musical que meus pais me proporcionaram, um emprego na Sinter foi o responsável pelo abastecimento farto e incontável de discos de gêneros musicais que fizeram a trilha da minha infância e adolescência, não necessariamente nessa ordem. Eram raras as semanas em que meu pai não chegasse em casa com uma pilha de discos dentro do Aero Willys. De Dolores Duran a Maysa, de Elvis a Bill Halley, de Sinatra a Nat ¿King¿ Cole, de Louis Armstrong a Benny Goodman.
Cheguei na adolescência com um termômetro musical invejável para uma época que só se saía daqui de navio ou de avião ¿ e eram cerca de 11 horas até o Rio, dentro de um Constelation da Real ou da Paraense.
Adquiri um gosto com uma base bem sólida. Um gosto capaz de selecionar o que iria tocar ou não na minha eletrola.
E os Stones nunca foram os meus preferidos, como uma série de outras unanimidades que deixaram de sê-las no número 520, da Quintino Bocaiúva, minha casa, até então.
Pelas mãos do Edgar Augusto conheço o The Faces, uma das poucas bandas a rivalizar com os Stones, no Reino Unido. Era fã. Principalmente de Rod Stewart, vocalista e de Ron Wood, guitarrista.
O Faces chega ao fim em 1974. Ron não perde tempo e entra no estúdio pra gravar junto com os Stones. Viria a se tornar um Stone, só dois anos depois.
E foi levado por ele que passei a dar um pouco mais de atenção ao Stones. Mesmo assim, não foi o suficiente para me tornar um fã incondicional da banda de Mick Jagger.
Mas uma coisa é inconteste. Os Stones são a maior representação viva da cultura pop musical.
Rockstones poderia ser a definição de sua música. Um estilo tão forte, marcante e vigoroso que qualquer inspiração neles vira cópia.
Sem nenhuma pretensão assisto ao show, no Rio, pela TV.
O Mick lá na frente, pulando que nem criança em festa de carnaval, deixando, como sempre fez, a barriga à mostra.
Pensei imediatamente: quantos senhores desses, com 62 anos rodados, exibiriam aquela parte do corpo?
E Charlie Watts, com aquela indefectível cara de ¿o que estou fazendo aqui?¿, que exibe desde a primeira aparição da banda? Mais blazé, impossível.
Keith Richards, esse então, parece que ganhou de Deus o que no Big Brother chamam de imunidade. Fez o que bem quis com a vida pessoal. Faz o que bem quer com aquela guitarra. E tudo o que aparenta são as marcas fortes no rosto. Herança da heroína.
Bill Wylman saiu em 1991 e Darryl Jones foi contratado. É assim até hoje ¿ o coitado nem é considerado um Stone.
Em 40 anos de carreira foram 37 discos, mesmo com uma pausa de alguns anos.
E se o rock é atitude, os velhinhos deixam isso bem claro. Deixam uma história de longevidade até agora única e indiscutível, num gênero musical que foi tido como passageiro.
It¿s only rock¿n¿roll (but i like it).
Sábado, Março 11, 2006
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Os Sacanas
Será que estou certo quando penso que a profissão de Publicitário talvez seja a única que se compare a uma linda mulher. Seios quentes, curvas perigosas, meio ninfo, nem ninfa, nem balzaca, sonhos loucos, úmidos, pele de Photoshop.
Cara, dispendiosa. É o útil fútil. Mas, Ah! Foda-se! Ela esgota. Chicote nas mãos, leva a pique qualquer barco de marinheiro de primeira viagem. Cortezada por muitos, permitida a vários: safada. Ágil como uma gata num muro com vidros. Mas, um porém não a faz sertir-se plena - orgasmos múltiplos -.
De muitos, um só é o seu escolhido:
Nós. Os sacanas.
Sim. Somos ou não somos uns grandes sacanas? Não é assim quando a gente ganha um prêmio? Não é assim quando a gente ganha uma conta? Não dá pra sentir-se um misto de Napoleão com Dom Quixote?
Êpa, mas que cara é essa? Vai me dizer que nunquinha na vida tu, depois de ganhar uma conta, ou o prêmio do parágrafo acima, não deitou no seu fofo colchão e, de debaixo do edredon, se contorcendo de prazer, gritou baixinho, entre os dentes:
- Caralho... Eu sou fodão... O Fodão...
E ela explode de dentro dos seus múltiplos orgasmos, grita e geme no teu ouvido:
- Eu te amo, seu sacana...
Um sono curto. O tempo suficiente para, na ânsia, ligar pro pessoal pra contar a vantagem, com um ar de modéstia:
- Amigos, permitam-me? Ganhei um prêmio.
Ao que o outro responde:
- Ah, seu sacana....
É lógico, senhores, que esse texto é só uma grande sacanagem.
Afinal, somos ou não somos sacanas?
Sábado, Março 11, 2006
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O íncrivel exército
O tráfego diminuia. O cheiro do asfalto, que subia junto com o vapor provocado pela chuva, grossa e rápida, se misturava com o perfume que usara logo após o banho.
Da igreja de Nazaré, se ouvia as sete badaladas. Sete da noite.
Caminho lento, em direção a subida da Quintino. Se existisse um disk-man, certamente a trilha seria Ramones, Out of time.
O resto dos moleques esperando.
Cigarro aceso, escondido na mão em concha.
Bora? Era o sinal.
O Incrível Exército de Brancaleone.
O clíper de Nazaré. A primeira parada. Uma abacatada, um caldo de cana, uma cachaça. Pedidos de moleques. Mas o que faz uma cachaça no meio?
Bem, meu era a abacatada.
Energias armazenadas, pé na estrada. Ou melhor, na Independência.
Andávamos, todos os Brancaleones, mais apressados.
A sessão começaria sete e meia. As carteiras do colégio devidamente falsificadas.
As mangueiras ainda deixavam cair sobre nós os vestígios da chuva, grossa e rápida.
Apenas gotas.
Talvez não mais que os 10 ou 12 anos de cada um de nós. Quinze na carteira do colégio.
Segunda parada: O quebra-queixo da porta do Cinema. Dava pra sentir o cheiro do ar-condicionado misturado com pipoca. Cheiro de cinema.
Depois da terceira parada era ingresso numa mão, carteira do colégio na outra. Um olhar opaco sobre cada uma delas. "Ele não sabe ler!", cochicha um dos da "armata". A gente ri. A gente sempre está rindo. Ainda dá tempo de mais um Continental sem filtro no banheiro. As bichas fingem que mijam. Apagam-se as luzes. Aquele friosinho na barriga. Atualidades Atlântida ia mostrar os gols da Copa de 66. Vibramos, o cinema, todos por cada cada gol do Brasil. Mas, nossos artistas perderam o lugar pra Inglaterra. A campeã. Nem Gilmar, nem Rildo, nem Djalma Santos, nem Pelé. Os reis da bola eram Gordon Banks, Bobby Moore, Bob Charlton.
Pelo menos o quebra-queixo ia demorar o filme inteiro.
Silêncio total.
Ia começar o Incrível Exército de Brancaleone.
Sábado, Março 11, 2006
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